Varejo brasileiro mais forte do que o de principais economias do mundo

Agosto, 2010

As vendas no varejo brasileiro subiram 10,2% em maio deste ano, comparado a 2009. O acumulado de 2010 expandiu 11,5% sobre os primeiros cinco meses de 2009. A alta foi de 1,4% referente ao mês de abril. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), referente ao mês de maio, divulgada em julho pelo IBGE.

O relatório animou o setor varejista brasileiro. Ele indica que o desempenho da área no país foi maior do que o norte-americano, que apresentou aumento nas vendas de apenas 6,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Já nos países da zona do Euro, houve alta de 0,6% em relação a maio de 2009.

De acordo com Luiz Goes, sócio-sênior e diretor da GS&MD — consultoria especializada em varejo e distribuição —, o momento é de otimismo. “Mais um mês de crescimento de dois dígitos nas vendas, refletindo a melhoria das condições macroeconômicas do país, com maior volume de crédito; juros mais baixos; aumento da renda da população e confiança do consumidor em alta”.

Em maio, os segmentos mais dependentes de crédito tiveram alta mais acentuada nas vendas. Este movimento, na opinião do especialista da GS&MD, decorre de uma clara melhora no cenário macroeconômico nacional.

“Setores como veículos, móveis/eletroeletrônicos e materiais de construção tiveram um baixo desempenho no início de 2009, por conta do reflexo da crise financeira global no Brasil. Isso vem favorecendo o crescimento mais acelerado desses segmentos, mesmo com o fim da isenção de IPI para várias categorias”, comenta o consultor.

Ele ainda ressalta que a alta da Selic em 0,75 ponto percentual no fim de abril influenciou muito pouco neste resultado.

Entre os setores mais independentes de crédito, o destaque ficou para equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com alta de 28,7% na comparação anual.

Móveis e eletrodomésticos tiveram uma expansão de 19,5% na comparação anual, abaixo dos 22,4% do mês anterior. “Se por um lado houve o fim do IPI reduzido, por outro a Copa do Mundo impulsionou a venda de aparelhos de TV e manteve o setor muito aquecido”, analisa Goes.

As vendas de material de construção apresentaram avanço de 19,9%, no sétimo mês consecutivo de crescimento, consolidando uma recuperação depois de um ano bastante ruim.

O segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo — o de maior participação no varejo — teve um crescimento de 8,2%. Valor um pouco abaixo da média do mercado, mas ainda assim respondeu por 38% da taxa geral de expansão do varejo brasileiro em maio.

“O setor vem tendo um desempenho consistente, por conta do aumento do poder de compra da população, com a expansão da massa salarial; das taxas de juros relativamente baixas; e da confiança dos consumidores em níveis elevados. Essa soma de fatores faz com que o setor navegue tranquilo, sem turbulências”, afirma o consultor.


Fonte: Release IBGE, site da GS&MD e jornal online Meio & Mensagem


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