Tablóide no varejo é melhor distribuído entre as classes A e B, mas é mais bem-vindo nas classes da base da pirâmide

Setembro, 2009 

Análise de dados revela que redes do grande varejo podem utilizar melhor o tablóide como instrumento de inserção nas comunidades de baixa renda e construção de identidade e marca

Pesquisa do instituto Data Popular, conduzida pela especialista em estudos para o setor de varejo Sonia Bittar, revelou que ainda há espaço para o crescimento e aprimoramento do tablóide, como veículo de comunicação do varejo para falar com a base da pirâmide e levá-la ao ponto-de-venda com mais fidelidade.

De acordo com os números da pesquisa, as redes de supermercados que enviam tablóides para residências possuem maior cobertura nas camadas superiores, com 73,8% em AB, 72,3% em C e 58,3 em DE. No entanto, embora a distribuição dos tablóides promocionais seja mais bem realizada no topo da pirâmide, este veículo informativo encontra sua melhor aceitação nos domicílios das classes D e E. Entre a baixa renda, 35% das classes D e E gostam de recebê-los em casa. Já entre o topo da pirâmide apenas 26,2% aceitam bem o material.

O estudo também contrasta o comportamento do consumidor após receber o tablóide, com os números da cobertura física do material. São as camadas da base da pirâmide, ou seja 48,3% de DE e 39,7% de C que afirmaram ir a vários supermercados para aproveitar ofertas de cada um, percentual que desce para 32% em AB. Isso revela que o tablóide se torna mais útil para as pessoas de baixa renda. Estes números colocam o tablóide como uma grande mídia de massa, comparada a rádio e jornais.

Ao analisar os dados da pesquisa, Sonia Bittar afirma que além da questão da distribuição por classe, existem oportunidades no conteúdo dos tablóides cuja potencialidade é subestimada pelas empresas, que vêem o recurso primordialmente para veiculação de ofertas e não como meio de comunicação institucional que é.

"O grande varejista estimula o consumidor de baixa renda a utilizar o tablóide como um instrumento de caça aos produtos baratos e não o utiliza como ferramenta para criar vínculo com a empresa ou com as marcas", diz. Alguns números que permeiam esta informação são os relativos à preferência por hipermercados, que na base da pirâmide é de 58%, contra 70,3% do topo, preferência que se inverte quando se fala em mercadinhos de vizinhança.

Para Sônia, esses números além de seu valor quantitativo, devem ser analisados de forma mais profunda. "A importância que o tablóide tem na base da pirâmide, que o utiliza, de fato, deve estar na mente do grande varejista, que vê os clientes partindo em direção a formatos menores de lojas", afirma.

A especialista explica que o cliente do pequeno varejo vê a loja de bairro como um espaço de integração e aumento da auto-estima, que também reflete a cultura local. O relacionamento direto e cuidadoso entre lojista e cliente, vem de longa data e tem uma comunicação firmada na confiança mútua. O tablóide, devido à grande cobertura que tem, pode suprir essa carência de comunicação que há entre o grande varejo e o consumidor da base da pirâmide.

"Seria estratégico utilizar o tablóide para falar diretamente com o consumidor e firmar a marca do varejo e seus fornecedores e não utilizar o material apenas como instrumento de barganha. As experiências neste sentido ainda são incipientes, mas tem tudo para crescer e aprimorar-se. Fidelizar a grande massa de clientes da baixa renda é ainda um grande desafio e focar a comunicação na comunidade local é um dos elementos fundamentais nesse processo de conquista do mercado de bairro", conclui Sônia Bittar.

A pesquisa revela também outros dados interessantes: A audiência de notícias de rádio é de 33,7% nas classes AB contra 42% em C e 39% em D e E. Este número se inverte quanto à leitura de jornais, pois enquanto 40% das classes AB lêem jornais, o hábito se reduz a 29% da população da classe C e 20% das classes DE.

Para a realização desse estudo, o Data Popular ouviu consumidores em São Paulo, desde a classe A à classe E, para identificar hábitos e preferências do público de baixa renda diante do pequeno e grande varejo. Foram consultados homens e mulheres entre 18 e 65 anos para se traçar diferenças relevantes de comportamento na hora de fazer compras entre as classes AB e CDE.

Sobre o Data Popular
Criado em 2002, o DATA Popular surgiu para produzir conhecimento de qualidade sobre o mercado popular no Brasil. A empresa é especialista no desenvolvimento de pesquisas e análise para entender como funciona o mercado de baixa renda. Seus estudos avaliam a relação deste público com produtos e marcas para descobrir qual a melhor forma de se comunicar com um segmento responsável por um mercado de R$ 620 bilhões por ano. Entre os clientes atendidos estão Associação Comercial De São Paulo, Alpargatas, Aon Affinity, Banco IBI, Bovespa, Camargo Correa, Dia%, Faber-Castell, Grupo Pão de Açúcar, Grupo Silvio Santos, Intel, Marabráz, Microsoft, Ministério do Turismo, Natura, Nestlé, Pernambucanas, Procter & Gamble, Sadia, SBT, Shering-Plough, Telefônica, Wal-Mart, entre outros.

Sobre Sonia Bittar
Sonia Bittar é diretora geral do instituto Data Popular, empresa especialista no desenvolvimento de pesquisas e análises para entender o mercado de baixa renda. Bittar é hoje uma das mais respeitadas especialistas em pesquisas de varejo e shopper insights. Economista com pós-graduação em história econômica pela USP, Sonia Bittar traz a experiência de quem já ocupou cargos de direção, coordenando pesquisas e estudos estratégicos em trade marketing e varejo para grandes empresas nacionais e internacionais, como AmBev, Carrefour, C&A, Casas Bahia, Bayer, Credicard, Fecomércio, Nestlé, Pernambucanas, P&G, Unilever e Wal-Mart, entre outras.

Fonte: Data Popular

 


voltar
home