O atual cenário econômico e os impactos na indústria gráfica

A crise econômica mundial teve início no mercado financeiro norte americano e rapidamente se espalhou para o mercado financeiro europeu, evidenciando o alto grau de interdependência dos mercados.

Apesar dos esforços dos governos dos principais países do mundo, foram injetados mais de US$ 7,5 trilhões no sistema financeiro mundial, a crise atingiu com uma gravidade sem igual nas últimas décadas, as principais economias mundiais. Vejamos alguns exemplos:

- Os cortes de emprego nas empresas dos EUA aumentaram 19% em outubro e atingiram o maior nível desde janeiro de 2004;

- O mercado de trabalho norte americano eliminou 240 mil vagas em outubro. É o 10º mês seguido de cortes, que, no acumulado do ano, já somam 1,2 milhão de postos;

- O PIB da zona do euro encolheu 0,2% no terceiro trimestre deste ano em comparação com o segundo, depois de ter contraído também 0,2% no segundo trimestre frente ao primeiro. Com isso, a região de moeda comum entra em recessão pela primeira vez desde que foi formada, em 1999.

A crise global será mais profunda e mais extensa do que se imaginava e pela primeira vez em décadas, teremos recessão sincronizada de vários países.

A crise trouxe de imediato para o Brasil duas importantes consequências financeiras, a contração violenta do crédito e a depreciação do real.

Nos últimos anos, o crédito tem cumprido um papel essencial na economia brasileira. Hoje, o crédito equivale a 39% do PIB, percentual ainda considerado baixo perto de outras economias emergentes, como o Chile e a China, que emprestam, respectivamente, 82% e 114% do PIB. Mas esse indicador tem avançado rapidamente no Brasil - em 2005, essa relação era de 28%. A rápida expansão mostra como o crédito se tornou um dos principais motores da economia - e é esse motor que mais está sentindo os efeitos da crise internacional.
A turbulência nos mercados provocou um fechamento quase total das linhas externas, antes captadas pelos bancos e pelas grandes empresas, o que sobrecarregou o sistema nacional. Com menos dinheiro externo e mais incerteza no mercado, os bancos reduziram prazos e aumentaram taxas de juros e garantias - e isso faz com que o dinheiro não circule como deveria.

O outro efeito da crise global no Brasil é marcar o fim do processo de apreciação do real. Não há mais condições do dólar vir a ser cotado abaixo de R$ 2,00.

Esta situação está causando reflexos significativos para a atividade econômica do país. Até o momento, os setores mais afetados são a indústria automobilística, a construção civil e os exportadores de commodities, principalmente o setor agrícola.

A indústria gráfica, também é afetada pela crise, embora de forma menos grave que os setores mencionados.

O primeiro impacto ocorre nos custos, pois o nosso setor é muito dependente de insumos, peças e equipamentos importados.

O segundo é o aumento do custo financeiro e a dificuldade de acesso as linhas de financiamento e capital de giro.

O terceiro é a redução das verbas publicitárias, que impacta no número de páginas impressas por revista.

É difícil prever por quanto tempo vai perdurar esta situação, se por um lado os pessimistas dizem que o pior ainda está por vir, por outro lado, os otimistas acreditam que a atividade econômica iniciará sua recuperação, já no segundo semestre de 2009.

Comparado com o restante do mundo, o cenário brasileiro está longe de ser uma tragédia. Afinal, quando muita gente lá fora já vive um ambiente de recessão, o Brasil discute qual a intensidade da desaceleração em relação ao bom momento da economia até a eclosão da crise.

Nelson Gonçalves
Diretor Financeiro da PLURAL.


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